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 Conheça aqui o carro que voa!

 O Skycar tem oito motores em quatro turbinas. Apesar disso, pesa o mesmo que um Gol, graças à fuselagem, feita de fibra de carbono, leve e resistente. A autonomia de vôo é de 1 300 quilômetros .

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Se você acha que carro voador parece história de ficção científica, é compreensível. Afinal, houve uma infinidade de tentativas do tipo neste século, protagonizadas por cientistas com perfil de Professor Pardal. Mas esse não é o caso de Paul Moller. "Ele não é um mecânico de fundo de quintal, mas um dos melhores engenheiros americanos", declarou Dennis Bushnell, cientista-chefe do laboratório de Langley, o principal centro de pesquisas da Nasa.

Ele não é o único entusiasmado com o projeto. "É o melhor que já vi em toda minha vida", disse o engenheiro de sistemas Henry Lahore, executivo da Boeing. Os dois acompanham há anos o trabalho de Moller e concordam: o invento tem uma solução científica plausível para todos os obstáculos técnicos que impediam a sua viabilidade, inclusive segurança. O mais crucial deles era a necessidade de ter um profissional no comando. "A revolução da tecnologia está reduzindo drasticamente os requisitos de pilotagem", diz Bushnell. "Daqui a algum tempo, o vôo poderá ser totalmente automático."

A tecnologia para isso já existe. Falta aperfeiçoá-la. A idéia é colocar em órbita um conjunto de satélites que cubra toda a superfície do planeta. Cada Skycar enviará um sinal constante para o espaço. O satélite recebe a informação e a devolve à aeronave, indicando posição, altitude, velocidade e rota adequadas. O computador de bordo apenas obedece. O dono só precisará ligá-lo e dizer para onde quer ir.

A criação de Moller supera outros empecilhos técnicos, como peso, tamanho, e combustível. Com pouco mais de 5 metros de comprimento e 3 de largura, ele é prático porque cabe em qualquer lugar. Um avião Cessna, por exemplo, tem 12 metros de asa a asa. O Skycar pesa 1 tonelada - menos do que um Gol - e tem dois tanques de combustível em que cabem 227 litros de gasolina comum. O protótipo custou 1 milhão de dólares. Moller, porém, acredita que a produção em escala derrubaria o preço para 60 000 dólares.

 
 
  Como um beija-flor
Paul Moller inventou um sistema de decolagem e pouso verticais baseado em defletores, "persianas" instaladas dentro das turbinas. Quando elas se fecham, o ar produzido pelas turbinas é empurrado em direção ao solo para fazer o carro levantar vôo.
 

  Transição no ar
Sempre controlados por computador, os defletores vão se abrindo à medida que o veículo sobe. Dessa forma, parte do vento impulsiona o veículo para a frente e outra parte o faz subir. Na altitude desejada, o jato de ar é impulsionado totalmente para trás para aumentar a velocidade.
 

  Equilibrío sem asas
A 200 quilômetros por hora, as pequenas asas traseiras respondem por 28% da sustentação no ar. O restante é gerado pela força dos motores (10%), pelo fluxo de vento que passa sobre as turbinas (46%) e pela fuselagem do aparelho (16%)
 
 
 
 

Direita, volver
Sem as longas asas de um avião comum, o Skycar manobra e faz curvas no ar acelerando mais de um lado. Como num barco aremo, mais força do lado esquerdo faz o aparelho virar à direita.

 
 

Pouso suave
Para descer, os motores diminuem a velocidade e os defletores se fecham. O ar jogado para baixo forma um colchão de ar para a aterrissagem. No solo, o Skycar deixa a desejar. Com três rodas e sem suspensão, faz apenas trajetos curtos, de até 30 quilômetros, a baixa velocidade.


Pequeno notável

O carro voador tem oito motores como o que você vê ao lado. Cada uma dessas maravilhas, embora pese apenas 34 quilos, tem potência de 90 HP, praticamente a mesma que um Gol 1.6. Mas com cerca de 25% do seu peso

Veja o resto da reportagem que tiramos da revista SI!

Os passos do carro voador !

Se você agora mudou de idéia e já está imaginando um desses, da sua cor preferida, reluzindo na sua garagem, contenha-se. O teste que deve ser realizado este mês é o primeiro de uma série infindável de demonstrações exigidas pelo governo americano antes de autorizar o vôo de qualquer novo tipo de aparelho aéreo. "O Skycar parece ser uma interessante idéia, mas o projeto expõe uma série de questões para as quais ainda não há resposta", disse Bill Shumann, porta-voz da Federal Aviation Administration (FAA), o órgão do governo americano responsável por toda a aviação no país. "Todos os testes necessários constituem um longo processo, que levará anos para ser concluído."

Se o carro voador fosse autorizado a decolar amanhã, seria necessário ter brevê para pilotá-lo. O computador que tornaria o vôo automático ainda está sendo desenvolvido para as Forças Armadas dos Estados Unidos. Vários anos passarão até chegar à aviação civil. Outro requisito básico é o controle de tráfego aéreo por satélites, que pressupõe uma rede de centrais em órbita conectada aos computadores de todos os carros voadores. "A engenharia de trânsito ainda é feita com radares terrestres", explica Shumann. "Mas o governo americano já está analisando esses novos sistemas."

Um novo mundo
Projetos como o Skycar de Paul Moller não aparecem todos os dias. Mas muita gente tentou chegar perto. "O caso mais comum é de inventores que tentaram combinar as facilidades do vôo à comodidade de um carro", conta Paulo Soviero, professor de aerodinâmica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, interior de São Paulo. Os resultados não foram muito animadores. O veículo Arfíbio (mistura das palavras ar e anfíbio), do americano Robert Fulton Jr., em 1945, foi o primeiro desses a aparecer. Tinha cara de aeroplano, só que podia andar na terra também. Em terra, não passava de 90 quilômetros por hora. A 300 metros de altitude, praticamente dobrava a velocidade. Seu principal problema era o trabalhão que dava para recolher as asas e a cauda.

Embora imperfeito, o Arfíbio inspirou o engenheiro americano Molt Taylor a construir no ano seguinte o Aerocar. Era literalmente um carro com asas, só que mais frágil e mais apertado. No ar, tinha um desempenho pior que o de um monomotor. "Sair voando e levar junto suspensão e caixa de câmbio não é algo muito inteligente", comenta Soviero. Pesava muito. Aprovado pela FAA, vendeu apenas cinco unidades.

Quase cinqüenta anos depois, o Skycar faz comer poeira os demais inventos que apareceram. "Ele é tecnicamente viável", disse Nicola Getschko, professor de Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. "Mas isso não basta. Será preciso uma infra-estrutura até agora não imaginada." Segundo ele, se o projeto de Moller der certo, o mundo mudará. Vai mudar tanto que os filhos dos seus filhos vão arregalar os olhos quando você contar que passava horas e horas preso no trânsito. E o pior: no chão.

 
 

O primeiro automóvel feito no Brasil, o fusca, começou a rodar em 1960. Naquele ano, Paul Moller já estava desenhando o seu veículo voador. Tomou tempo. Professor de Engenharia Mecânica e Aeronáutica da Universidade da Califórnia de 1963 a 1975, ele sempre conciliou a profissão com os delírios criativos.

Hoje, aos 62 anos, é um empresário bem-sucedido. Sua empresa, a Moller International, tem contratos com a Força Aérea dos Estados Unidos e a Nasa. Seu principal produto é o Aerobot, um pequeno robô que voa sozinho. Ele é usado para localizar vítimas de acidente em áreas de difícil acesso para equipes de resgate.

É desse negócio que saiu boa parte da dinheirama gasta ao longode mais de trinta anos para desenvolver o Skycar. "Foram investidos cerca de 100 milhões até hoje", conta. Segundo ele, uma parte substancial do projeto está sendo financiada por vários parceiros, entre eles a indústria eletrônica sul-coreana Samsung.

  A trajetória do criador e da
criatura ao longo de 35 anos.
 

 

1964 - Fundo de quintal
O primeiro protótipo em tamanho real foi
construído na garagem de Moller

 

 

1966 - O primeiro vôo
O XM-2 voou com um passageiro.
A turbina era um anel ao redor da cabine

 

 

1974 - Para dois
O XM-4 comportava dois passageiros.
Tinha oito motores de 20 HP

 

 

1989 - Viabilidade
O M200X fez 150 testes oficiais, comprovando
o sistema de decolagem vertical

 

  Doutor em aeronáutica, Moller já registrou 42
patentes, além do Skycar
 
 

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